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AVC: sinais de alerta e como agir para proteger o cérebro

O AVC é uma das principais causas de morte e de incapacidade no Brasil — e está diretamente ligado à saúde do coração. Entenda os sinais, os tipos e por que a prevenção cardiovascular é também prevenção de AVC.

O AVC (Acidente Vascular Cerebral) acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido — seja por um coágulo que obstrui uma artéria, seja por um vaso que se rompe e sangra. Sem oxigênio, as células cerebrais daquela região começam a morrer em minutos. É por isso que o AVC é uma emergência médica: quanto mais rápido o tratamento começa, maior a chance de recuperação sem sequelas graves.

Tempo é cérebro: a cada minuto sem tratamento, milhões de neurônios podem ser perdidos. Reconhecer os sinais rapidamente e chamar o SAMU (192) imediatamente é a decisão que mais influencia o desfecho de um AVC.

O teste SAMU: como reconhecer um AVC em segundos

Existe um teste simples, que qualquer pessoa pode fazer, para suspeitar de um AVC rapidamente:

S — Sorriso: peça para a pessoa sorrir. Observe se um dos lados do rosto fica caído ou assimétrico.

A — Abraço: peça para a pessoa levantar os dois braços ao mesmo tempo. Observe se um dos braços não sobe ou cai sozinho.

M — Música: peça para a pessoa repetir uma frase simples. Observe se a fala sai enrolada, incompreensível ou se ela não consegue formar a frase.

U — Urgência: se qualquer um desses sinais estiver presente, a conduta é uma só: ligar para o SAMU (192) imediatamente. Não espere os sintomas passarem, não leve a pessoa dirigindo — chame o socorro especializado.

Outros sinais de alerta que também merecem atenção imediata: alteração súbita da visão (perda de visão, visão dupla ou embaçada), dor de cabeça muito forte e repentina, tontura intensa ou perda de equilíbrio sem explicação, e confusão mental súbita. Em mulheres, o AVC pode se apresentar de forma mais sutil, com sintomas como cansaço extremo, fraqueza generalizada, náusea ou soluços persistentes.

AVC isquêmico x AVC hemorrágico: por que a diferença importa

Existem dois tipos principais de AVC, com mecanismos e tratamentos completamente opostos:

AVC isquêmico (cerca de 80 a 85% dos casos): um coágulo obstrui uma artéria do cérebro, formado localmente ou vindo de outro lugar do corpo — muitas vezes do próprio coração, como acontece na fibrilação atrial. O tratamento busca desobstruir a artéria: por medicação que dissolve o coágulo (trombólise, geralmente indicada em até 4,5 horas do início dos sintomas) ou por um procedimento que remove o coágulo mecanicamente (trombectomia), em casos selecionados.

AVC hemorrágico (15 a 20% dos casos): um vaso sanguíneo se rompe e sangra dentro do cérebro, geralmente causado por pressão alta não controlada ou pela ruptura de um aneurisma cerebral. Aqui o tratamento é o oposto: controlar o sangramento, reduzir a pressão dentro do crânio e, em alguns casos, cirurgia.

Essa é exatamente a razão de nunca se automedicar diante de uma suspeita de AVC (por exemplo, tomar AAS "por precaução"): um remédio que ajuda no isquêmico pode piorar bastante o hemorrágico. O diagnóstico correto do tipo, feito com exame de imagem em ambiente hospitalar, é o que direciona o tratamento.

A conexão direta entre coração e AVC

Boa parte da prevenção de AVC é, na prática, a mesma da prevenção cardiovascular — porque os fatores de risco se sobrepõem quase por completo:

Hipertensão é o principal fator de risco isolado para AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico. Manter a pressão controlada é a intervenção com maior impacto na redução do risco. Veja como controlar a pressão arterial.

Fibrilação atrial aumenta significativamente o risco de AVC isquêmico, porque favorece a formação de coágulos dentro do coração que podem viajar até o cérebro. Entenda a fibrilação atrial e o risco de AVC.

Aterosclerose nas artérias que levam sangue ao cérebro (carótidas) pode se romper ou obstruir o fluxo da mesma forma que faz nas artérias do coração. Entenda a doença aterosclerótica.

Diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo completam a lista dos principais fatores modificáveis — os mesmos que já tratamos como pilares da cardiologia preventiva.

O que fazer depois de um AVC

Quem já teve um AVC entra automaticamente em prevenção secundária: o risco de um novo evento é maior, e as metas de controle de pressão, colesterol e, quando indicado, anticoagulação costumam ser mais rígidas. O acompanhamento cardiológico contínuo é o que permite ajustar esse tratamento ao longo do tempo — veja também nossa página sobre como estimar o risco cardiovascular.

Perguntas frequentes sobre AVC

Quais são os primeiros sinais de um AVC?

Os sinais mais comuns são fraqueza ou formigamento súbito em um lado do corpo (rosto, braço ou perna), dificuldade repentina para falar ou entender, alteração na visão, tontura ou perda de equilíbrio, e dor de cabeça súbita e muito forte. O teste SAMU (Sorriso, Abraço, Música, Urgência) ajuda a reconhecer rapidamente.

Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?

O AVC isquêmico (cerca de 80-85% dos casos) acontece quando um coágulo obstrui uma artéria do cérebro. O AVC hemorrágico (15-20% dos casos) acontece quando um vaso se rompe e sangra dentro do cérebro, geralmente por pressão alta não controlada ou aneurisma. Os tratamentos são opostos: um busca desobstruir a artéria, o outro busca controlar o sangramento.

Quanto tempo se tem para tratar um AVC?

No AVC isquêmico, a trombólise costuma ser indicada em até 4,5 horas do início dos sintomas, e a trombectomia mecânica pode ser considerada em uma janela maior em casos selecionados. Por isso a frase "tempo é cérebro": cada minuto sem tratamento significa mais células cerebrais perdidas.

Fibrilação atrial aumenta o risco de AVC?

Sim, de forma significativa. Na fibrilação atrial, o sangue pode se acumular e formar coágulos dentro do átrio esquerdo do coração; se um desses coágulos se solta e viaja até o cérebro, causa um AVC. É por isso que a anticoagulação é uma parte central do tratamento em pacientes com risco elevado.

Dá para prevenir um AVC?

Grande parte dos casos de AVC está ligada a fatores de risco modificáveis: hipertensão, fibrilação atrial não tratada, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo. Controlar esses fatores com acompanhamento cardiológico contínuo é a forma mais eficaz de reduzir o risco.

Próximo passo

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