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Exames e avaliação

Avaliação cardiológica pré-operatória: o passo que reduz o risco da sua cirurgia

Complicações cardíacas estão entre as principais causas de intercorrência grave em cirurgias não cardíacas — e boa parte delas é evitável. A avaliação pré-operatória existe para identificar o risco antes que ele apareça na sala de cirurgia.

A avaliação cardiológica pré-operatória é a consulta feita antes de uma cirurgia — cardíaca ou não — para estimar o risco de complicações cardiovasculares durante e depois do procedimento, e definir se algum ajuste é necessário antes da data marcada. Não é uma formalidade burocrática: é a etapa que permite identificar, com antecedência, um problema que só apareceria durante a cirurgia ou na recuperação.

Por que isso importa: o próprio ato cirúrgico e a anestesia colocam um estresse adicional sobre o coração — variações de pressão, de volume de sangue circulante, de oxigenação. Um coração com uma doença não diagnosticada pode não sustentar bem esse estresse, mesmo que a pessoa se sinta bem no dia a dia.

Quando a avaliação é indicada

A necessidade e a profundidade da avaliação dependem de três coisas: o porte da cirurgia (cirurgias maiores, mais longas ou com maior perda de sangue esperada exigem avaliação mais completa), a urgência (cirurgias eletivas permitem tempo para investigar e otimizar; cirurgias de urgência exigem uma avaliação mais rápida e focada), e o risco individual do paciente — idade, hipertensão, diabetes, doença coronariana prévia, capacidade de realizar esforço físico no dia a dia (subir dois lances de escada sem parar é um bom marcador prático) e outras doenças associadas.

O que a consulta pré-operatória avalia

A avaliação combina histórico clínico detalhado, exame físico e, quando indicado, exames complementares: eletrocardiograma na maioria dos casos, e — dependendo do risco identificado — ecocardiograma ou teste de esforço. Uma ferramenta usada nessa avaliação é o índice de risco cardíaco revisado (índice de Lee), que combina fatores como tipo de cirurgia, doença coronariana prévia, insuficiência cardíaca, AVC prévio, diabetes em uso de insulina e função renal para estimar objetivamente o risco de complicações cardíacas maiores.

Medicações: o que pode e o que não pode ser mantido

Um dos pontos mais importantes da consulta pré-operatória é revisar todas as medicações em uso e decidir, junto com a equipe cirúrgica e anestésica, o que deve ser mantido, ajustado ou suspenso temporariamente antes da cirurgia. Anticoagulantes e antiagregantes (como os usados após uma angioplastia com stent) costumam exigir atenção especial, porque suspender cedo demais ou tarde demais tem riscos em direções opostas — sangramento excessivo de um lado, trombose do stent do outro. Essa decisão nunca deve ser tomada por conta própria, sem orientação médica.

Cirurgias de médio e alto risco: onde a avaliação faz mais diferença

Cirurgias vasculares, ortopédicas de grande porte, abdominais extensas e torácicas costumam se enquadrar como risco intermediário a alto, e são as que mais se beneficiam de uma avaliação cardiológica completa antes da data marcada. Pacientes com fatores de risco cardiovascular — hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo — que vão passar por qualquer um desses procedimentos devem priorizar essa consulta com antecedência, não na véspera.

Perguntas frequentes sobre avaliação pré-operatória

Toda cirurgia precisa de avaliação cardiológica?

Não toda, mas a maioria das cirurgias de médio e grande porte exige. A necessidade depende do porte da cirurgia, da urgência dela e do risco cardiovascular do paciente — idade, hipertensão, diabetes, doença coronariana prévia, capacidade de fazer esforço físico no dia a dia, entre outros fatores.

Quais exames fazem parte da avaliação pré-operatória?

Costuma incluir consulta clínica com avaliação de risco, eletrocardiograma e, dependendo do risco identificado, exames complementares como ecocardiograma ou teste de esforço. A solicitação é individualizada conforme o risco calculado e o tipo de cirurgia.

Preciso suspender o remédio para pressão antes da cirurgia?

Depende do medicamento. Algumas classes costumam ser mantidas; outras, como alguns anticoagulantes e antiagregantes, podem precisar de ajuste ou suspensão temporária. Essa decisão é sempre individualizada e feita em conjunto com a equipe cirúrgica e anestésica — nunca suspenda uma medicação por conta própria.

Quanto tempo antes da cirurgia devo fazer a avaliação cardiológica?

Idealmente, entre 2 e 4 semanas antes de uma cirurgia eletiva, para dar tempo de realizar exames complementares e, se necessário, ajustar o tratamento antes da data marcada. Em cirurgias urgentes, a avaliação é feita de forma mais rápida, focada no essencial.

O que é o índice de risco cardíaco revisado?

É uma ferramenta clínica (índice de Lee) que ajuda a estimar o risco de complicações cardíacas graves durante e após uma cirurgia não cardíaca, com base em fatores como tipo de cirurgia, doença coronariana prévia, insuficiência cardíaca, AVC prévio, diabetes em uso de insulina e função renal.

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